Em meio
às denúncias de corrupção no governo do Distrito Federal, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva decidiu nesta quarta-feira encaminhar ao Congresso projeto
de lei que torna hediondos os crimes de corrupção no país quando cometidos por
"altas autoridades" da administração pública federal, estadual e
municipal.
O
objetivo do governo, segundo o ministro Jorge Hage (Controladoria Geral da
União), é considerar como crimes hediondos a corrupção ativa, passiva,
concussão e o peculato, com o aumento das penas para os aqueles que cometerem
essas irregularidades.
"O
projeto de lei torna hediondo o crime de corrupção quando cometido a partir de
um determinado nível de autoridades, que gozam de prerrogativas maiores,
dispõem de poder decisório maior. Os crimes de corrupção e correlatos, como
peculato e corrupção ativa e passiva, serão considerados crimes
hediondos", disse Hage.
Ao ser
classificada como crime hediondo no projeto de lei, a corrupção passa a ser
crime inafiançável quando cometida por autoridades do primeiro escalão. Se o
crime for de responsabilidade de servidores públicos que não ocupam cargos de
alto escalão, o projeto não prevê que o crime seja hediondo.
A
proposta, porém, estabelece penas maiores para todos aqueles que cometerem
crimes de corrupção, aumentando o tempo de prisão temporária para quem desviar
recursos da administração pública. "Os crimes serão incluídos nas
hipóteses de prisão temporária, que deixará de ser submetida de cinco a dez
dias, para ser submetida ao limite de 30 a 60 dias. É um ato da maior
relevância que estamos tomando", afirmou. O projeto propõe que as penas
mínimas para os crimes de corrupção subam de dois para quatro anos.
A criação
do projeto ocorre dias depois de vir à tona o chamado "mensalão do
DEM", um suposto escândalo de corrupção no governo do Distrito Federal que
teria a participação do governador José Roberto Arruda (DEM). Pelo suposto
esquema, empresas conveniadas com o governo do DF repassariam propina a
integrantes do Executivo local, que encaminhariam os recursos aos deputados
distritais da Câmara Legislativa do DF.
O
governador nega envolvimento no escândalo ao afirmar que recebeu recursos
durante a campanha eleitoral de 2006, para a compra de cestas de Natal e
panetones à população de baixa renda.
O projeto
precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional para entrar em vigor.
Comemoração
Hage
anunciou a decisão do governo de pedir que o Congresso torne hediondos os
crimes de corrupção para as "altas autoridades públicas" no Dia
Internacional de Combate à Corrupção. Assim como o ministro, Lula e autoridades
do governo federal participam nesta manhã de cerimônia em comemoração à data.
O
ministro da CGU disse que o principal desafio do governo é reverter a
"tradição da impunidade" no Brasil no que diz respeito a atos de corrupção
nas administrações públicas. Hage afirmou que o governo federal tem como uma de
suas prioridades investir na prevenção da corrupção, assim como ampliar a
transparência na gestão pública.
"A
corrupção envolve um corrupto e um corruptor. Por isso é preciso agir dos dois
lados. Nesse sentido, passamos a aplicar a lei também contra as empresas
corruptoras. Várias delas já foram declaradas inidôneas e, com isso, proibidas
de contratar com a administração pública."
Segundo o
ministro, os atos de corrupção também atingem as empresas privadas, por isso
devem ser combatidos "sem trégua" pelo governo federal. "O
governo brasileiro não se encontra mais nem na acomodação da tolerância, nem na
mera lamentação dos males causados pela corrupção", afirmou o ministro.
Fonte: Folha Online, Brasília, Gabriela Guerreiro
Por assessoria parlamentar
Marcelo Barberino